Virada comercial: país já tem superávit no acumulado de 2009
A balança comercial brasileira está superavitária em US$ 172 milhões do início do ano até a segunda semana de fevereiro, informou o ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior nesta segunda-feira (16). Até a primeira semana deste mês, porém, o resultado acumulado no ano era deficitário. A virada reverte a preocupante tendência de janeiro, que registrou déficit de US$ 518 milhões. O saldo das duas semanas de fevereiro é positivo em US$ 696 milhões.
Em 31 dias úteis, as exportações chegaram a US$ 14,883 bilhões e as importações ficaram em US$ 14,711 bilhões, média diária respectiva de US$ 480,1 milhões e US$ 474,5 milhões.Na última semana, o resultado positivo ficou em US$ 225 milhões, resultado de vendas externas de US$ 2,36 bilhões e importações de US$ 2,13 bilhões. Com isso, a balança comercial voltou a ficar superavitária no acumulado de 2009, algo que não acontecia desde a primeira semana deste ano.A semana passada foi a segunda consecutiva de resultado positivo da balança comercial. Já em janeiro, pela primeira vez em quase oito anos, ocorreu déficit para um mês fechado. No mês passado, foi contabilizado um resultado negativo de US$ 518 milhões. Apenas a primeira semana de janeiro teve saldo positivo, de US$ 130 milhões.
Acumulado do ano
No acumulado até o dia 8 de fevereiro (domingo da última semana), o saldo ainda estava deficitário: no valor de US$ 47 milhões. Com o superávit de US$ 225 milhões da semana passada, a balança voltou a registrar superávit no acumulado do ano, no valor de US$ 172 milhões. Em 2009, até 15 de fevereiro, as exportações somaram US$ 14,88 bilhões, e as importações totalizaram US$ 14,71 bilhões.O superávit da balança é um importante indicador da economia e compõe as contas externas brasileiras. Os dólares que ingressam no Brasil por conta das transações comerciais ajudam a financiar as contas do país com o exterior. Se o superávit da balança cai, isso tende a representar uma situação menos confortável no futuro. Indica que o país pode perder autonomia e passar a depender mais de recursos externos. Os Estados Unidos em crise, com o maior déficit comercial do mundo, são um exemplo típico.
Déficit anterior ocorreu com Plano Real
O Brasil, tradicionalmente um grande exportador, acumulou um déficit crônico na sua balança comercial durante o Plano Real de Fernando Henrique Cardoso,que instituiu a chamada âncora cambial mantendo o dólar artificialmente desvalorizado. Com a crise do Plano Real em 1999 o real desvalorizou-se, o déficit reduziu-se e em 2001 ocorreu o primeiro superávit, de US$ 2,6 bilhões.No governo Lula, as exportações cresceram fortemente, diversificaram-se e o superávit chegou ao pico de US$ 46,5 bilhões em 2006. Nos dois anos seguintes, as exportações continuaram crescendo mas o superávit se reduziu porque a retomada do crescimento fez as importações subirem em ritmo ainda maior. Já o dado de janeiro deste ano preocupou justamente por mostrar retração tanto das importações como, ainda mais abrupto, das exportações.
BC projeta superávit de US$ 14 bi
O mercado financeiro manteve, na última semana, em US$ 14 bilhões a sua projeção para o superávit da balança comercial neste ano, informou o Banco Central nesta segunda-feira (16). Em 2008, a balança comercial teve superávit de US$ 24,7 bilhões, com forte queda de 38,2% frente ao ano de 2007, quando o resultado positivo somou US$ 40 bilhões. Para 2010, a previsão caiu de US$ 14 bilhões para US$ 13,85 bilhões na última semana.
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