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quarta-feira, 12 de maio de 2010

A homenagem de Montevidéu a Luiz Carlos Prestes

A Câmara Municipal de Montevidéu dá o nome do revolucionário brasileiro a uma praça no centro da cidade

A Câmara Municipal de Montevidéu decidiu, dia 29 de abril, homenagear o revolucionário brasileiro Luiz Carlos Prestes e aprovou, por 20 votos a dois, dar seu nome a uma praça na capital uruguaia: “é vontade da Câmara”, diz o documento aprovado, “que o espaço contíguo à Praça República Argentina, voltado para o sul, leve o nome do notável militar e político brasileiro Luiz Carlos Prestes”.



É uma decisão plena de simbolismos. A decisão foi aprovada numa época de avanço da esquerda uruguaia, revelada pela eleição do presidente José “Pepe” Mujica, um político de esquerda, e agora da dirigente comunista Ana Olivera, candidata da Frente Ampla, para a prefeitura de Montevidéu.

A lembrança de dar seu nome a um espaço público junto à praça República Argentina remete também ao país sul americano onde o então líder tenentista aderiu ao comunismo, e à sua amizade com o dirigente Rodolfo Ghioldi, do Partido Comunista da Argentina. Além de relembrar também o caráter brasileiro e latino americano do heroísmo popular de Prestes.

A notícia, publicada na imprensa uruguaia, foi assinada pelo próprio presidente da Câmara Municipal, Dari Mendiondo Bidart. Lembrando a trajetória da Coluna Prestes, a notícia destacou a trajetória política e militar daquele que chamou de “personagem mítico”. Lembrou a luta intensa por ideais democráticos, o apoio popular que engrossou as fileiras da Coluna Prestes, a adesão ao comunismo, o levante revolucionário de 1935, a prisão, o enfrentamento da ditadura Vargas, e a infâmia de seu governo que entregou sua mulher, a comunista, judia e alemã Olga Benário – que estava grávida – para a morte certa nos campos de concentração da Alemanha nazista.

E justifica a homenagem dizendo que “a vida de Prestes, cheia de vicissitudes e adversidades, nos mostra, para além dos avatares ideológicos, um grande exemplo de retidão, de entrega à causa da liberdade”. E conclui: Por isso,uma personalidade de “tamanha transcendência” merece a homenagem da cidade de Montevidéu.

Mendiondo Bidart tem razão: a homenagem é justa. Desde pelo menos 1924 até sua despedida da vida, em 1990, Luiz Carlos Prestes jamais declinou de suas responsabilidades de dirigente revolucionário. Foram 66 anos dedicados às causas em que acreditou e em torno das quais organizou o povo e a vanguarda revolucionária. Sua trajetória faz parte da história dos comunistas brasileiros e do movimento comunista internacional, e seu nome está agora eternizado em uma praça em Montevidéu.

terça-feira, 11 de maio de 2010

O dia em que os povos derrotaram o fascismo

A humanidade comemora neste domingo, 9 de maio, o dia da vitória. Nesta data, há 65 anos , os representantes do comando do exército nazista alemão, assinavam perante o comando soviético o ato de capitulação incondicional.

Nesse mesmo dia, depois de desbaratadas as tropas nazistas nos campos de batalha em toda a Europa, eram liquidadas em Praga, então capital da Tchecoslováquia, os últimos focos daquela que fora a maior máquina de guerra já montada até então. Estes dois acontecimentos assinalam o final da Segunda Guerra Mundial na Europa. É o dia da vitória, vitória dos povos da União Soviética, que arrostaram os maiores sacrifícios impostos pela guerra, vitória dos povos, que derrotavam o regime fascista e reconquistavam a liberdade, vitória das nações, que resgataram sua independência em face do império nazi-fascista. Vitória da humanidade.

Pouco antes, em 30 de abril, depois de uma desesperada resistência alemã nos campos de batalha da Prússia Oriental e da Áustria, as tropas soviéticas entraram em Berlim, atacaram os últimos redutos dos nazistas e içaram sobre o Reichstag a bandeira da vitória, o pano encarnado da aliança operária e camponesa que ali representava a unidade dos povos de todo o mundo. Em 2 de maio capitulava a guarnição de Berlim.

Caía assim o estado fascista alemão, quebrava-se a colossal máquina de guerra que submeteu e atormentou a humanidade.

Guerra imperialista

Naquele 9 de maio, há 65 anos, terminava na Europa a guerra que causou a morte de 50 milhões de pessoas nos campos de batalha e sob bombardeios. Nos campos de concentração nazistas 12 milhões de pessoas foram assassinadas sob cruéis suplícios. Outros milhões de pessoas – quase 100 milhões! – ficaram inválidas ou mutiladas. Os povos da União Soviética pagaram o maior preço – 27 milhões de mortos, entre estes 7,5 milhões de soldados. Quatro meses depois, em dois de setembro, terminava em definitivo o conflito, com a capitulação japonesa.

A Segunda Guerra Mundial iniciada em 1939, com o ataque à Polônia, tinha em sua origens, tal como a Primeira, as contradições interimperialistas. Desencadeada pelas potências mais agressivas à época, sobretuido a Alemanha nazista, foi a culminância do desenvolvimento desigual do mundo capitalista, de suas crises, da luta por mercados e fontes de matérias primas, pela redivisão do mundo e pelo poder mundial.

Nessa disputa o objetivo da Alemanha era estabelecer a hegemonia na Europa e ampliar seu império no Oriente Médio e na África. O Japão pretendia estabelecer sua hegemonia no Oceano Pacífico, transformar em suas colônias a China, a Coreia, a Indonésia, a Indochina, a India e as ilhas do Pacífico. Já os fascistas italianos sonhavam em transformar o Mar Mediterrâneo num “mare nostrum” italiano, submeter os países balcânicos e ocupar a Argélia, a Tunísia, a Córsega e outros países. Esses objetivos hegemonistas entravam em contradição com os interesses da Grã Bretanha, da França e dos Estados Unidos.

A Inglaterra e a França declararam guerra à Alemanha , mas nenhuma ação militar se desenvolveu na frente ocidental até abril de 1940, o que permitiu à Alemanha aumentar o número de territórios ocupados. Em abril de 1940 foi a vez da Dinamarca e da Noruega serem pisoteados pelo tacão nazista e em maio maciços bombardeios foram feitos sobre a Holanda, a Bélgica e a França. Sem resistência e até com dócil cooperação das vítimas, avançavam pela Europa as tropas hitleristas. Pior dos opróbrios para uma nação que se orgulhava de ter sido revolucionária, a França cai sob o ditame hitleriano e assina a ata de capitulação.

Grandes batalhas soviéticas

A guerra muda de caráter a partir da invasão da União Soviética em 22 de junho de 1941. Parecia o auge da campanha militar fascista, mas logo se viu que a agressão à pátria do socialismo foi o começo do fim do exército e do regime de Hitler. A imaginada derrocada do socialismo sugeriu a alguns, primeiramente os fascistas mas também às potências capitalistas ocidentais, a estratégia de sorguer uma “nova ordem”através de acordos secretos e de uma bem urdida divisão do mundo entre os países imperialistas. Mas foi exatamente a partir daí que o curso dos acontecimentos mudou.

A União Soviética, no começo em inferioridade, organiza a resistência. Mais adiante passará à ofensiva. E fará com que a guerra termine no quartel-general de quem a iniciou.

Todo o poder estatal da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, nas circunstâncias de ameaça à sobrevivência da pátria, concentra-se doravante no Comitê Estatal de Defesa. Com a proclamação “A Pátria em Perigo!”, Stálin faz um chamamento a todos os povos da URSS a se levantarem e concentrarem forças na luta para desbaratar os agressores. O front e a retaguarda se transformaram num só e indivisível campo de batalha.

Ainda em 1941, o exército nazista fez profundas incursões no território da URSS. Ocupou a Ucrânia e a Bielorrússia e iniciou celeremente uma marcha rumo a Moscou. O comando nazista imaginou uma rápida tomada da capital e chegou a declarar que em 7 de novembro, quando habitualmente os soviéticos comemoravam o aniversário da Revolução num grande desfile militar e em concentrações populares, o exército alemão realizaria sua parada militar na Praça Vermelha.

Mas o povo moscovita travou encarniçadas batalhas e sustentou heroica resistência, primeiro detendo, em seguida rechaçando para bem longe os agressores nazistas. A derrota germânica às portas de Moscou foi um acontecimento militar de grande importância que viria a exercer enorme influência nos desdobramentos da guerra. Terminava ali o mito de que o exército hitlerista era invencível. A partir de então, os povos soviéticos e todos os povos submetidos pelo fascismo ganharam confiança, inspiração e força moral para enfrentar o pior inimigo da humanidade.

Outra virada radical que determinou o desenvolvimento posterior dos acontecimentos políticos e militares da Segunda Guerra Mundial foi a batalha de Stalingrado. Foram travados sangrentos combates, a partir de determinada altura em cada palmo da cidade, em cada rua, em cada casa, transformadas em trincheiras, combates de cada homem e mulher, velhos e jovens, soldados improvisados, que escreveram uma das epopeias mais heróicas de todos os tempos.

Em Stalingrado começou a queda do exército germânico, do estado fascista. Após Stalingrado inverteu-se o quadro de forças da guerra. Duas outras grandesbatalhas, dentre as centenas de ações de resistência e combate do Exército Vermelho, a de Kursk (julho de 1943) e a de Leningrado (janeiro de 1944) foram também enfrentamentos decisivos para desbaratar a máquina de guerra de Hitler.

Ofensiva libertadora

É necessário assinalar ainda a grande ofensiva do exército soviético em 1944 e 1945, com a libertação da Ucrânia, da Bielorrússia, dos países bálticos e as incursões nos territórios da Romênia, Tchecoslováquia, Hungria, Iugoslávia e, por fim, a já mencionada tomada de Berlim.

A vitória dos povos na Segunda Guerra Mundial é resultado ainda de dois outros fatores – a coalizão anti-fascista e as lutas democráticas e populares, que constituíram fator decisivo para a derrubada do fascismo. Espalharam-se as lutas guerrilheiras e os exércitos guerrilheiros em toda as partes da Europa e Ásia. Em todos os continentes, os povos se organizaram em frentes populares de libertação nacional nas quais participavam amplos setores progressistas. Amadureceu a ideia e consolidou-se a experiência de realizar amplas alianças políticas para bater o inimigo comum, com papel destacado para as forças revolucionárias, particularmente os comunistas.

Em todas as partes foi grande o clamor para que os Estados Unidos e o Reino Unido se aliassem à União Soviética e fosse criada a frente ocidental. O reflexo disso no Brasil foi a pressão política e social para que o governo de Getúlio Vargas abandonasse a política de eqüidistância e aderisse ao esforço de guerra dos Aliados. Os governos das grandes potências ocidentais, nomeadamente os EUA e o Reino Unido e os das nações por estes polarizadas acabaram compreendendo que era indispensável a cooperação com a URSS, para enfrentar a Alemanha, mesmo mantendo suas ambiguidades, seus objetivos imperialistas e os seus interesses meramente pragmáticos de afastar o concorrente interimperialista.

A celebração do Dia da Vitória não é algo que não diga respeito à geração que numa outra situação histórica luta hoje pela paz, a democracia, a independência nacional e o socialismo. São graves as ameaças que pairam sobre a humanidade. Com diferenças na forma e nas proclamações, as forças imperialistas e em primeiro lugar os Estados Unidos da América submetem os povos a novos tipos de tirania, funcionais à manutenção de uma ordem iníqua, baseada no poder do imperialismo e de classes dominantes retrógradas, que impõem restrições de toda ordem à liberdade, atentam contra a soberania nacional, promovem políticas anti-sociais em que a regra básica é a violação dos direitos dos trabalhadores, militarizam o planeta, põem em perigo a paz e a segurança da humanidade e contaminam o ambiente.

É indispensável conhecer o passado, como agiu o inimigo e como lutaram os povos, primeiro para que os crimes de lesa-humanidade não se repitam jamais e também para que as atuais gerações de militantes sejam capazes de recolher as ricas lições que emanam da experiência heróica das gerações anteriores.
Trabalho escravo: uma herança perversa do capitalismo brasileiro

O Brasil foi o último país independente do continente americano a abolir a escravidão, o que ocorreu em 13 de maio de 1888, dia em que a Lei Áurea foi sancionada. A herança do antigo regime, porém, não desapareceu. Em pleno século XXI, o trabalho escravo ainda é uma infame realidade para milhares de trabalhadores e trabalhadoras, uma mancha vergonhosa na economia nacional, notada principalmente (embora não só) nas áreas rurais.













Aos poucos, após a Lei Áurea, as relações de trabalho características do escravismo foram cedendo espaço ao capitalismo, cujo pressuposto é a existência do trabalhador livre e despojado de meios de produção. Todavia, o trabalho escravo sobreviveu ao novo modo de produção, atravessou o século XX e amanheceu vivo no terceiro milênio, revigorado pela crescente desregulamentação das relações entre capital e trabalho, promovida pelo neoliberalismo.

Impunidade

O governo Lula tem se empenhado com seriedade no combate a esta prática hedionda, mas os interesses que a sustentam são poderosos e renitentes. Além disto, as ações públicas que se desenvolvem no Brasil neste sentido são insuficientes, conforme afirmou o secretário de Assalariados e Assalariadas Rurais da Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais (Contag), Antônio Lucas Filho, em entrevista ao nosso portal reproduzida nesta reportagem.

As punições são leves face ao crime, o que torna comum a reincidência, e nossa morosa “Justiça” não raro é complacente ou mesmo cúmplice com os criminosos, geralmente muito bem situados na pirâmide social. A fiscalização deixa a desejar e a influência conservadora no Congresso Nacional também protege o trabalho escravo.

Superexploração

Uma das marcas registradas do capitalismo tropical é precisamente o grau superior de exploração da força de trabalho pelo capital. Isto explica, em parte, a sobrevivência de vestígios do antigo regime nas relações sociais modernas, especialmente no campo, até hoje carente e clamando por uma reforma agrária.

As empresas brasileiras praticam baixos salários e altas jornadas, nem sempre se pautam pelo respeito à legislação, em geral abominam os direitos sociais e a regulação das relações trabalhistas. Os capitalistas falam, é claro, em nome da liberdade (entre desiguais) e do liberalismo, da competitividade e do desenvolvimento. Afinal, jornadas longas, ampliadas pelas horas extras, “flexibilidade” e baixos salários foram “o verdadeiro motor do crescimento econômico brasileiro dos anos 1930 até os anos 1980”, conforme observou o sociólogo Sadi Dal Rosso (1).


Resistência

O caráter antissocial do capital e do capitalismo é notório. O trabalho escravo é o aspecto mais degradado e desumano do sistema. É um recurso que os empresários utilizam, especialmente no chamado agronegócio, para ampliar ainda mais o grau de exploração (ou extração de mais-valia, para usar um conceito consagrado por Karl Marx), de forma a maximizar o lucro.

Representantes do patronato que apela a este tipo de exploração gostam de negar a existência do trabalho escravo no Brasil, como fez a senadora Kátia Abreu, presidenta da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), em recente entrevista à revista “Veja” (2). Um sinal, entre outros, da resistência das classes dominantes a medidas mais severas para combater o mal pela raiz.

Grandes empresas

É evidente que o trabalho escravo contemporâneo não possui as mesmas características do passado, mesmo porque a Lei Áurea de fato aboliu o direito de propriedade de um ser humano sobre o outro. Mas as relações de trabalho forçado, com novas características, infelizmente ainda persistem.

Há os que alegam que isto ocorre marginalmente, envolvendo apenas alguns empresários particularmente malvados ou inescrupulosos. Também isto não é verdade. A cadeia do trabalho escravo envolve a participação direta e indireta de grandes empresas, incluindo multinacionais como o Grupo Cosan e a JBS Friboi.

PEC do trabalho escravo

A razão maior para a persistência desta herança perversa do capitalismo brasileiro é a força política da “Casa Grande”, concentrada sobretudo na intitulada bancada ruralista. Esta é hostil a toda e qualquer mudança progressista na legislação neste e noutros terrenos. Obstrui a aprovação da PEC do Trabalho Escravo, que prevê a expropriação da propriedade em que for constatada a prática de trabalho escravo, e vocifera até contra a “lista suja” promovida pelo Ministério do Trabalho para denunciar empresas e empresários flagrados neste tipo de crime contra a força de trabalho.

A isto se soma, como salientou o dirigente da Contag, a pobreza e ignorância das vítimas, em sua maioria trabalhadores sem-terra e sem emprego, migrantes analfabetos, duros e lesos, que se submetem por necessidade e ingenuidade à exploração inescrupulosa dos intermediários de mão-de-obra. Mesmo quando resgatados pelo poder público, o trabalhador “sem qualificação nem escolaridade” tende a se submeter à mesma situação degradante. “O Estado tem de ter políticas públicas para isto”, cobra Antônio Lucas.

O problema não é só no Brasil, onde se estima em algumas dezenas de milhares o número de vítimas. Estudo da Organização Mundial do Trabalho (OIT) estima em mais de 12 milhões o número de trabalhadores submetidos à condição de trabalho que pode ser caracterizada como forçado ou escravo no mundo.

É o que o leitor e a leitora do Vermelho poderão perceber no conjunto de matérias que compõem esta reportagem especial sobre trabalho escravo no Brasil.

( Por Umberto Martins )
Trabalho escravo: uma herança perversa do capitalismo brasileiro

O Brasil foi o último país independente do continente americano a abolir a escravidão, o que ocorreu em 13 de maio de 1888, dia em que a Lei Áurea foi sancionada. A herança do antigo regime, porém, não desapareceu. Em pleno século XXI, o trabalho escravo ainda é uma infame realidade para milhares de trabalhadores e trabalhadoras, uma mancha vergonhosa na economia nacional, notada principalmente (embora não só) nas áreas rurais.

Aos poucos, após a Lei Áurea, as relações de trabalho características do escravismo foram cedendo espaço ao capitalismo, cujo pressuposto é a existência do trabalhador livre e despojado de meios de produção. Todavia, o trabalho escravo sobreviveu ao novo modo de produção, atravessou o século XX e amanheceu vivo no terceiro milênio, revigorado pela crescente desregulamentação das relações entre capital e trabalho, promovida pelo neoliberalismo.

Impunidade

O governo Lula tem se empenhado com seriedade no combate a esta prática hedionda, mas os interesses que a sustentam são poderosos e renitentes. Além disto, as ações públicas que se desenvolvem no Brasil neste sentido são insuficientes, conforme afirmou o secretário de Assalariados e Assalariadas Rurais da Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais (Contag), Antônio Lucas Filho, em entrevista ao nosso portal reproduzida nesta reportagem.

As punições são leves face ao crime, o que torna comum a reincidência, e nossa morosa “Justiça” não raro é complacente ou mesmo cúmplice com os criminosos, geralmente muito bem situados na pirâmide social. A fiscalização deixa a desejar e a influência conservadora no Congresso Nacional também protege o trabalho escravo.

Superexploração

Uma das marcas registradas do capitalismo tropical é precisamente o grau superior de exploração da força de trabalho pelo capital. Isto explica, em parte, a sobrevivência de vestígios do antigo regime nas relações sociais modernas, especialmente no campo, até hoje carente e clamando por uma reforma agrária.

As empresas brasileiras praticam baixos salários e altas jornadas, nem sempre se pautam pelo respeito à legislação, em geral abominam os direitos sociais e a regulação das relações trabalhistas. Os capitalistas falam, é claro, em nome da liberdade (entre desiguais) e do liberalismo, da competitividade e do desenvolvimento. Afinal, jornadas longas, ampliadas pelas horas extras, “flexibilidade” e baixos salários foram “o verdadeiro motor do crescimento econômico brasileiro dos anos 1930 até os anos 1980”, conforme observou o sociólogo Sadi Dal Rosso (1).

Resistência

O caráter antissocial do capital e do capitalismo é notório. O trabalho escravo é o aspecto mais degradado e desumano do sistema. É um recurso que os empresários utilizam, especialmente no chamado agronegócio, para ampliar ainda mais o grau de exploração (ou extração de mais-valia, para usar um conceito consagrado por Karl Marx), de forma a maximizar o lucro.

Representantes do patronato que apela a este tipo de exploração gostam de negar a existência do trabalho escravo no Brasil, como fez a senadora Kátia Abreu, presidenta da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), em recente entrevista à revista “Veja” (2). Um sinal, entre outros, da resistência das classes dominantes a medidas mais severas para combater o mal pela raiz.

Grandes empresas

É evidente que o trabalho escravo contemporâneo não possui as mesmas características do passado, mesmo porque a Lei Áurea de fato aboliu o direito de propriedade de um ser humano sobre o outro. Mas as relações de trabalho forçado, com novas características, infelizmente ainda persistem.

Há os que alegam que isto ocorre marginalmente, envolvendo apenas alguns empresários particularmente malvados ou inescrupulosos. Também isto não é verdade. A cadeia do trabalho escravo envolve a participação direta e indireta de grandes empresas, incluindo multinacionais como o Grupo Cosan e a JBS Friboi.

PEC do trabalho escravo

A razão maior para a persistência desta herança perversa do capitalismo brasileiro é a força política da “Casa Grande”, concentrada sobretudo na intitulada bancada ruralista. Esta é hostil a toda e qualquer mudança progressista na legislação neste e noutros terrenos. Obstrui a aprovação da PEC do Trabalho Escravo, que prevê a expropriação da propriedade em que for constatada a prática de trabalho escravo, e vocifera até contra a “lista suja” promovida pelo Ministério do Trabalho para denunciar empresas e empresários flagrados neste tipo de crime contra a força de trabalho.

A isto se soma, como salientou o dirigente da Contag, a pobreza e ignorância das vítimas, em sua maioria trabalhadores sem-terra e sem emprego, migrantes analfabetos, duros e lesos, que se submetem por necessidade e ingenuidade à exploração inescrupulosa dos intermediários de mão-de-obra. Mesmo quando resgatados pelo poder público, o trabalhador “sem qualificação nem escolaridade” tende a se submeter à mesma situação degradante. “O Estado tem de ter políticas públicas para isto”, cobra Antônio Lucas.

O problema não é só no Brasil, onde se estima em algumas dezenas de milhares o número de vítimas. Estudo da Organização Mundial do Trabalho (OIT) estima em mais de 12 milhões o número de trabalhadores submetidos à condição de trabalho que pode ser caracterizada como forçado ou escravo no mundo.

É o que o leitor e a leitora do Vermelho poderão perceber no conjunto de matérias que compõem esta reportagem especial sobre trabalho escravo no Brasil.

Por Umberto Martins


segunda-feira, 10 de maio de 2010

Irã inaugura a maior fábrica de carros do Oriente Médio

O Irã inaugurou neste domingo (9) o que está sendo descrita como a "maior" fábrica de carros do Oriente Médio. A informação é da agência oficial iraniana Irna.

A unidade, construída pela estatal iraniana Saipa na cidade central de Kashan, poderá produzir até 150 mil veículos por ano. Quando atingir sua capacidade máxima, a fábrica, que exigiu investimentos em torno de US$ 350 milhões, empregará 4.000 pessoas.



O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, apresentou também o Tiba — um pequeno veículo que custará entre US$ 8 mil e US$ 9 mil. O modelo está sendo promovido como o primeiro carro "desenhado e fabricado por iranianos".

Em 2009, a Saipa respondeu por 54% da produção de veículos no Irã. A Iran Khodro, também estatal, foi responsável pelo restante. Ambas as empresas têm acordos técnicos com Peugeot e Renault, da França, e com a Kia, da Coreia do Sul.
Irã inaugura a maior fábrica de carros do Oriente Médio

O Irã inaugurou neste domingo (9) o que está sendo descrita como a "maior" fábrica de carros do Oriente Médio. A informação é da agência oficial iraniana Irna.
A unidade, construída pela estatal iraniana Saipa na cidade central de Kashan, poderá produzir até 150 mil veículos por ano. Quando atingir sua capacidade máxima, a fábrica, que exigiu investimentos em torno de US$ 350 milhões, empregará 4.000 pessoas.

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, apresentou também o Tiba — um pequeno veículo que custará entre US$ 8 mil e US$ 9 mil. O modelo está sendo promovido como o primeiro carro "desenhado e fabricado por iranianos".

Em 2009, a Saipa respondeu por 54% da produção de veículos no Irã. A Iran Khodro, também estatal, foi responsável pelo restante. Ambas as empresas têm acordos técnicos com Peugeot e Renault, da França, e com a Kia, da Coreia do Sul.
Mercado financeiro prevê maior crescimento do PIB desde 1986

Economistas subiram previsão de crescimento de 2010 para 6,26%.
Estimativa de inflação deste ano avançou pela 16ª semana seguida.

Os analistas do mercado financeiro elevaram, na edição mais recente de seu relatório semanal, sua estimativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano: a previsão subiu de 6,06% para 6,26%, informou o Banco Central nesta segunda-feira (10) no relatório de mercado, também conhecido como Focus. O documento é fruto de pesquisa realizada na semana passada com os economistas das instituições financeiras.

Se confirmado o crescimento deste ano em 6,26%, conforme a previsão do mercado financeiro, será a maior expansão do PIB desde 1986, quando o país cresceu 7,49%, segundo série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgada pelo BC. Para 2011, a previsão de crescimento econômico do mercado financeiro permaneceu estável em 4,5%.

Inflação na meta

Com forte crescimento econômico, os analistas apostam que também haverá pressão maior sobre os preços. Na última semana, o mercado financeiro elevou, pela 16ª vez consecutiva, a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2010.

A expectativa do mercado para o IPCA deste ano, indicador que é utilizado como referência no sistema de metas de inflação, passou de 5,42% para 5,5% na semana passada. Para 2011, a previsão dos analistas permaneceu em 4,8%.

No Brasil, vigora o sistema de metas de inflação, pelo qual o BC tem de calibrar os juros para atingir as metas pré-estabelecidas. Para 2010 e 2011, a meta central de inflação é de 4,5%, com um intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Deste modo, pode ficar entre 2,5% e 6,5% sem que a meta seja formalmente descumprida.

Juros subindo

Com a expectativa de inflação em alta, os analistas também apostam que os juros continuarão subindo para tentar impedir a escalada dos preços. Em junho, de acordo com a previsão do mercado financeiro, a taxa deverá ser elevada para 10,25% ao ano, ou seja, um novo aumento de 0,75 ponto percentual. Segundo o mercado, os juros terminarão este ano em 11,75% ao ano e 2011 em 11,50% ao ano - o que representa elevação em relação à semana retrasada (quando a previsão era de 11,25% ao ano para o fechamento do ano que vem).

Taxa de câmbio

Nesta edição do relatório Focus, a projeção do mercado financeiro para a taxa de câmbio no fim de 2010 permaneceu em R$ 1,80 por dólar. Para o fechamento de 2011, a previsão dos analistas para a taxa de câmbio ficou estável em R$ 1,85 por dólar.

Balança comercial

Já a projeção dos economistas do mercado financeiro para o superávit da balança comercial (exportações menos importações) em 2010 subiu de US$ 12,2 bilhões para US$ 13 bilhões na semana passada.

Para 2011, o BC revelou nesta segunda-feira que a previsão dos economistas para o saldo da balança comercial permaneceu estável em US$ 5 bilhões de superávit.

No caso dos investimentos estrangeiros diretos, a expectativa do mercado para o ingresso de 2010 ficou em US$ 38 bilhões na última semana. Para 2011, a projeção de entrada de investimentos no Brasil permaneceu em US$ 40 bilhões.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Paulo Lacerda depõe como testemunha de Protógenes em SP
Lacerda: Protógenes não inventou nada, agiu de forma oficial

O ex-diretor-geral da Abin Paulo Lacerda depõe como testemunha de defesa do delegado Protógenes Queiroz em São Paulo

O delegado federal Protógenes Queiroz será ouvido na tarde desta segunda-feira, 26, em uma audiência na 7º Vara Criminal Federal de São Paulo. Protógenes é réu em um processo que apura o vazamento de informações sigilosas da Operação Satiagraha, deflagrada em julho de 2008. Ele chegou à Justiça Federal às 13h30.
Entre as testemunhas intimadas, estão o jornalista Cesar Tralli, da Rede Globo, e o ex-diretor da Polícia Federal e ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Paulo Lacerda.

- Cheguei ontem de Portugal, não tenho horário para depor - diz Lacerda a Terra Magazine.
Com início marcado para 13h30, a audiência deve seguir até pelo menos às 17h30 desta segunda-feira. O inquérito está sob os cuidados do juiz Ali Mazloum.
Na condição de réu, Protógenes poderia, no entanto, deixar de comparecer sem que a audiência de instrução - realizada para coletar depoimentos que ajudem a esclarecer o caso - seja prejudicada.
Lacerda não teve acesso ao processo e não antecipou o que relatará ao juiz. Às 15h40, o ex-diretor de inteligência Daniel Lorenz e Paulo Lacerda já prestavam depoimento.
Entre as testemunhas de juízo, Juliana Ferrer Teixeira, Andréa Karini Assunção de Lima. Duas delas foram dispensadas: William José dos Santos e Robinson Braoios Cerântula.
Testemunhas de defesa: Walter Guerra Silva, Roberto Carlos da Rocha, Paulo Lacerda, Daniel Lorenz, Waldir Caetano, César Augusto Tralli Junior.
Testemunhas de acusação: Leopoldo Andrade de Silva, Victor Hugo Rodrigues Alves Ferreira, Paulo de Tarso de Teixeira.