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sexta-feira, 7 de maio de 2010

Sem Big Brother, Globo perde audiência para Record, SBT e Band

Sem o reality show Big Brother Brasil, a TV Globo perdeu quase um ponto no Ibope nacional em abril. Na média das 7 horas à meia-noite, a emissora marcou 18,9 pontos, contra 19,6 em março, ou 3,6% a menos.
A nova programação, com as séries A Vida Alheia, Separação?! e SOS Emergência não repetiram os mesmos desempenhos das estreias de abril de 2009. Novas temporadas de programas já conhecidos (Casseta & Planeta, A Grande Família e Força-Tarefa) também tiveram ligeira queda em relação a abril do ano passado).

Por outro lado, Record, SBT e Band cresceram em abril. A Record chegou à média nacional de 7,5 pontos (graças a Bela, a Feia, e O Aprendiz). O SBT, com o Programa Silvio Santos e o Domingo Legal em alta, foi a 5,7. O CQC contribuiu para que a Band subisse a 2,4 pontos. Veja a tabela:

No Ibope da Grande São Paulo, a média das 7 horas à meia-noite da Globo também caiu em abril. Foi a 16,8 pontos, contra 17,5 em março. A Record não conseguiu repetir o feito nacional. Caiu um décimo, de 7,5 em março para 7,4. O SBT se manteve em 5,6 pontos e a Band foi de 2,4 para 2,5.

O número de televisores ligados se manteve em 43%. Como as redes abertas caíram quase um ponto, isso indica que perderam uma pequena parcela de público para outras mídias (DVD, PC, videogame etc.).

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Produção industrial cresce 18% no 1º trimestre de 2010, aponta IBGE

Influência positiva veio da produção de veículos, que subiu 38% no período.
No mês de março, a atividade industrial subiu 2,8% em relação a fevereiro.

A produção industrial brasileira subiu 18,1% no primeiro trimestre de 2010 na comparação com o mesmo período do ano passado, segundo a Pesquisa Industrial Mensal, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (4).

De acordo com a pesquisa, o crescimento se deve aos bons resultados em 24 das 27 atividades econômicas pesquisadas. A maior influência ocorreu na fabricação de veículos, que subiu 38% de janeiro a março ante o mesmo período de 2009 e "manteve a liderança em termos de maior pressão positiva sobre o índice geral", destacou o IBGE.


Produção industrial de março divulgada pelo IBGE (Foto: Editoria de Arte / G1)Além da fabricação de veículos, também se destacaram máquinas e equipamentos (alta de 42,1%), metalurgia básica (35,2%), produtos químicos (25,6%), produtos de metal (43%) e indústrias extrativas (19,1%).

O setor que mais pressionou negativamente foi o de equipamentos de transporte, que teve queda de 11,3% na produção industrial do primeiro trimestre.

Ao comparar a produção industrial do primeiro trimestre de 2010 com o último trimestre de 2009 houve avanço de 3% na série com ajustes sazonais.

O único dado negativo aparece na série anualizada, que considera o acumulado dos últimos 12 meses. Nessa comparação, a atividade recuou 0,3%, mas conforme o IBGE "prosseguiu com redução no ritmo de perda e registrou a queda menos intensa, nessa comparação, desde janeiro de 2009 (1%)."

Março ante fevereiro

No mês de março, conforme os dados, a atividade industrial subiu 2,8% na comparação com fevereiro sem contar as influências sazonais. No mês, o setor que mais influenciou positivamente também foi a indústria automobística, cuja produção subiu 10,6% na comparação com o mês anterior.

De acordo com a pesquisa, a expansão ocorreu por conta de bons resultados em 19 dos 27 setores industriais pesquisados, com destaque, além de veículos, para alimentos (5%), máquinas e equipamentos (5,2%), bebidas (7,6%) e celulose e papel (6,4%).

As pressões negativas no mês, segundo o IBGE, vieram do setor de refino de petróleo e produção de álcool (-9,4%), "refletindo em grande parte as paralisações ocorridas em unidades produtoras de importante empresa do setor", e na indústria farmacêutica, que após avançar 17% em fevereiro, recuou 9,7% em março.

Março ante março de 2009

Comparando março de 2010 com o mesmo mês do ano anterior, a alta foi de 19,7%. O IBGE destaca que é o quarto avanço mensal consecutivo de dois dígitos comparando um mês com o mesmo período do ano anterior.

]Segundo o IBGE, a alta é atribuída ao bom resultado de 25 das 27 atividades industriais, "refletindo não só a aceleração no ritmo da produção nesse início de 2010, mas também a baixa base de comparação decorrente dos efeitos da crise econômica internacional", destaca o instituto. o IBGE também ressalta que março teve um dia a mais do que fevereiro.
Vendas de veículos caem 21,4%, mas resultado é recorde para abril

Quadrimestre também é recorde com 1,066 milhão de unidades emplacadas.
Segmento de motocicletas ainda passa por dificuldades de recuperação.


O primeiro mês de vendas sem a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre os preços dos veículos registrou queda de 21,45% no volume negociado pelas concessionárias de veículos novos. Ao todo, foram emplacadas em abril 277.859 unidades de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus. Em março haviam sido emplacadas 353.735 unidades.

O resultado já era esperado pelo setor devido à antecipação de vendas que ocorreu em março, último mês do benefício. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (4) pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). “O número de dias úteis foi menor, nisto perdemos a venda de 40 mil carros”, afirma o presidente da entidade, Sergio Reze.

“Esses picos de vendas, como aconteceu com o fim do IPI, mascaram os números de desempenho. Preferimos um mercado com crescimento menor, mas constante, ao invés de ter picos de vendas”, acrescentou.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Fim do Fator Previdenciário é vitória histórica

Numa votação histórica, a Câmara dos Deputados acabou com o fator previdenciário e aprovou um reajuste de 7,7% aos aposentados. Foram 323 votos a favor, 80 contra e duas abstenções. O fator previdenciário representa uma perda média de 30% a 40% na aposentadoria dos trabalhadores celetistas.


Isto demonstra que a CTB estava certa quando não aceitou o acordo feito entre a CUT, Força Sindical e o Governo os quais apresentaram uma proposta intermediária composta da fórmula 85/95, que apenas maquiava o fim do fator.

Com esta medida, as aposentadorias terão a sua integralidade garantida apenas com o tempo de contribuição, no caso do homem 35 anos e da mulher aos 30 anos de contribuição. Outra vitória importante foi a introdução da chamada média longa, que garante que o salário será calculado tendo-se em conta a média dos 80% maiores salários de 1994 até a data da aposentadoria.

A nossa luta agora é intensificar a mobilização dos trabalhadores e trabalhadoras para confirmar esta vitória no senado. Cabendo ressaltar que o senado em outra votação já aprovou por unanimidade o fim do fator previdenciário. Posteriormente garantir a sanção do presidente Lula.

Está mais do que comprovado que condições financeiras existem para pagar o reajuste aos aposentados e pensionistas, tendo-se em conta que somente no ano passado, as desonerações tributárias representaram mais de 20 bilhões e o reajuste dos aposentados representará despesas de apenas 1 bilhão de reais.

Esta conquista representa o resultado de uma luta de unidade entre trabalhadores aposentados e da ativa, que precisamos preservar para avançar rumo às novas conquistas para o povo brasileiro.
Aposentados ganham reajuste de 7,7% em votação polêmica na Câmara

A Câmara dos Deputados aprovou o reajuste de 7,7% para os salários dos aposentados que ganham acima do mínimo, o que representa 80% do Produto Interno Bruto (PIB) de 2008. A proposta agradou as centrais sindicais e a Confederação Brasileira de Aposentados e Pensionistas (Cobap). Com isso, os parlamentares rejeitaram o índice de 6,14% proposto pela medida provisória e os 7% pelo relator Cândido Vacarezza (PT-SP). Agora, a matéria segue para o Senado.

Sob aplausos dos aposentados que ocuparam as galerias do plenário, os deputados também aprovaram por 323 votos a favor, 80 contra e duas abstenções o fim do fator previdenciário, um redutor de aposentadoria criado pelo governo de Fernando Henrique Cardoso. O fator esticou o tempo de aposentadoria e achatou os salários dos aposentados.

Com os partidos da base divididos, o líder do governo, Cândido Vacarezza, perdeu força no seu apelo para que fossem rejeitadas todas as emendas ao seu relatório, inclusive as que estabeleciam índices de reajustes maiores que 7%.

Derrubada a inadimissibilidade das emendas no relatório - só votaram com o líder o PT, PR e PP -, os partidos de oposição foram taxados de promover demagogia em plenário ao proporem reajuste de 8,77%, diferente do acordo feito entre os partidos da base na Câmara e Senado, com o apoio das centrais e da Cobap.

“O que eles estão fazendo é demagogia, porque quando eram governo foram responsáveis pelo fator previdenciário e pelo índice de reajuste do salário mínimo abaixo da inflação. Queremos votar com apoio das centrais e Copab o acordo dos 7,7% e negociar para que o presidente Lula sancione”, afirmou a líder do PCdoB na Câmara, deputada Vanessa Grazziotin (AM).

“A emenda de 8,77% não é uma emenda responsável. O DEM e o PSDB quando eram governo sequer reajustaram as aposentadorias pela inflação. Quero cumprimentar os aposentados que buscaram negociar com o governo, chegou-se ao entendimento de 50% do PIB e as entidades acharam insuficiente. O governo Lula demonstrou ter carinho com os aposentados e avançamos para 7%, portanto, achamos possível chegar a um índice ainda maior”, disse o líder do Bloco de Esquerda (PSB-PCdoB-PMN-PRB) na Câmara, Daniel Almeida (PCdoB-BA).

Quanto ao fator previdenciário, o líder do Bloco disse que os partidos têm uma posição clara a respeito. Trata-se de uma invenção do PSDB e do DEM para prorrogar as aposentadorias e achatar os salários dos aposentados. “Essa é uma posição histórica e o governo sabe que é necessário alterar essa medida”, disse ele ao encaminhar votação pelo fim do fator.

Dino defende reajuste

O deputado Flávio Dino (PCdoB-MA) lembrou que, no ano passado, foram votadas medidas provisórias que resultaram em desonerações tributárias da ordem de R$ 20 bilhões. “Naturalmente, estamos discutindo aqui uma diferença que poderá chegar a um impacto fiscal de R$ 1 bilhão. Logo, evidentemente, há, sim, espaço fiscal e necessidade de discutir uma revisão da medida provisória para conceder um reajuste maior aos aposentados”, disse.

Para ele, o impacto é possível de ser assimilado pelo Orçamento. “É uma necessidade social, no momento em que a economia cresce a mais de 6% ao ano e a arrecadação tributária bate sucessivos recordes. Neste trimestre, por exemplo, teremos a maior arrecadação tributária da nossa história”, argumentou.

O deputado Brizola Neto (PDT-RJ) disse que o seu partido tem compromisso com o governo Lula, sobretudo com a política de valorização do salário mínimo, mas decidiu defender até o fim a emenda à medida provisória de 7,7% para garantir um aumento ainda maior para os aposentados.

“Chegou a esta Casa uma medida provisória para o reajuste de 6,14%. Após debates, decorrentes até mesmo de propostas que fizemos neste plenário, o Governo admite e já negocia 7% de reajuste. Temos, ainda, emendas para 7,7% e 8,7%, o que significa que houve e continua havendo negociação”, disse o líder do PT, Fernando Ferro (PT-PE).]

Em almoço com osdeputados da base, o ministro da Previdência, José Eduardo Gabas, ainda tentou chegar a um acordo para que o índice ficasse em 7%, mas não houve avanço. Ele comunicou aos parlamentares que há grandes chances de o presidente Lular vetar um índice superior a 7%.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Com Lula e Dilma, 200 mil pessoas festejam o 1º de Maio unificado

Cerca de 200 mil pessoas festejaram o 1º de Maio unificado, em São Paulo, organizado pela CTB, Nova Central e UGT. O ponto alto do evento se deu com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da pré-candidata à Presidência da República, a ex-ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.

Ao lado dos presidentes das três centrais sindicais, Lula e Dilma destacaram a importância da comemoração do Dia do Trabalhador, principalmente pelas conquistas que os brasileiros e as brasileiras de todo o país obtiveram durante os últimos anos.

“Quem viveu no século passado sabe o quanto foi duro para os trabalhadores conquistarem os direitos trabalhistas que temos”, lembrou Lula, para em seguida se dirigir aos milhares de jovens na plateia e expor uma das principais bandeiras das centrais sindicais: “Hoje vocês trabalham oito horas por dia graças às conquistas do passado. Mas hoje todos aqui estão na luta pela redução da jornada de trabalho. É preciso reduzir para 40 horas para que a gente possa colocar mais pessoas no mercado de trabalho”, destacou.

Dilma também destacou a importância do 1º de Maio, elencando uma série de motivos que permitem aos brasileiros realmente comemorarem a data. “Hoje é sem duvida um dia de celebração e luta. E nós, brasileiros, temos sim muito o que comemorar: temos um salário mínimo que hoje vale 300 dólares; o Brasil hoje cresce, mas não como antes, para poucos é um país que tirou 24 milhões de pessoas da pobreza, que tem crédito e mercado interno forte, fatos conquistados em grande parte graças ao trabalho e empenho das centrais sindicais”, afirmou.

Data histórica

Ao lado presidente da Nova central, José Calixto Ramos, e do presidente da UGT, Ricardo Patah, o presidente da CTB, Wagner Gomes, fez questão de relembrar a importância da data do 1º de Maio. “Muitos morreram ao longo de mais de cem anos para que conseguíssemos estar aqui hoje, celebrando o Dia do Trabalhador. Esta festa e este ato são uma singela homenagem a todos os trabalhadores e trabalhadores que fizeram parte dessa luta”, afirmou.

Em seu discurso, Calixto destacou o caráter internacionalista do 1º de Maio. “Esta é uma festa que está sendo realizada em todo o mundo, uma data que já existe há mais de cem anos. O 1º de Maio tem que ser dedicado não apenas aos trabalhadores brasileiros, mas àqueles que todo o planeta”, disse.

Ricardo Patah, por sua vez, lembrou a todos de duas outras datas importantes completadas em 2010: os 70 anos do salário mínimo e os 25 anos da redemocratização do país. “São marcos que merecem nosso destaque, por se tratarem de importantes conquistas que tiveram a participação ativa da classe trabalhadora”, afirmou.

Personalidades políticas

Diversas personalidades acompanharam o ato político do 1º de Maio unificado. Estiveram ao lado de Lula, Dilma e dos três presidentes das centrais o ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, o delegado federal Protógenes Queiroz, os senadores Aloísio Mercadante (pré-candidato ao Governo de São Paulo) e Eduardo Suplicy, os vereadores Gabriel Chalita, Jamil Murad e Netinho de Paula, o deputado federal Aldo Rebelo, entre outras autoridades.

A senadora Marina Silva, também pré-candidata à Presidência da República, não chegou a tempo de participar do ato político, mas fez questão de prestigiar os festejos e ouvir as reivindicações dos trabalhadores. “Afinal de contas, são eles que movem a economia do país. Temos que olhar essas justas reivindicações, como a questão da jornada de trabalho e a ratificação da convenção 158”, afirmou.

Portal CTB

segunda-feira, 3 de maio de 2010

As eleições e a campanha Globo-Serra

A campanha da TV Globo para o seu candidato do coração, José Serra, merece atenção especial ainda que já tenha sido retirada de circulação. Para quem não viu, um resumo: a pretexto de comemorar seus 45 anos de vida, um vídeo de trinta segundos reúne os principais “astros” da emissora que, com frases curtas, enviam uma mensagem na linha de “o Brasil pode mais”, slogan da campanha serrista, cuja legenda é a de número 45. “Muito mais vontade de querer ainda mais qualidade” e “é por você que a gente faz sempre mais”, dizem os “artistas” e “jornalistas” da empresa. Reparem a ênfase no “mais”, a que Serra tem se prendido para convencer os brasileiros de que é o “Pós-Lula”.

A Globo iniciou as transmissões, de fato, há 45 anos, no glorioso ano de 1965. Ou seja, apenas um ano depois do golpe de Estado que, sob a batuta da CIA, seqüestrou, torturou e assassinou milhares de brasileiros. A Globo apoiou a ditadura e foi apoiada por ela. Daí Armando Falcão, um dos ministro da Justiça da época, ter dito no documentário “Muito Além do Cidadão Kane”: “Roberto Marinho foi revolucionário de primeira hora”.

No entanto, vale ressaltar, em nome da História, que os primeiros dois contratos entre Roberto Marinho e o grupo Time Life foram assinados em 1962, em Nova York, segundo registra Daniel Herz no livro “A história secreta da Rede Globo”. No papel, a emissora tem, portanto, 48 anos.

Voltando à peça publicitária em favor de José Serra: o PT enxergou o óbvio e exigiu a retirada da campanha do ar. Foi atendido. Só que essa história não pode terminar aqui. Esse fato é extremamente grave e vai além, muito além, do uso de uma concessão pública para fins privados. Também vai além do uso de uma concessão pública em favor de um grupo político neoliberal que, em última análise, defende a exploração do povo brasileiro e legitima o assalto às riquezas do país.

A peça publicitária da TV Globo é uma poderosa arma simbólica, que só pôde ser percebida como tal porque contém elementos passíveis de serem relacionados à campanha de José Serra: o ano eleitoral, o número 45 e a repetição da palavra “mais”. Por isso, ela rompeu a fina barreira entre a programação regular da emissora e aquela destinada ao “horário eleitoral gratuito”, invariavelmente anunciado com fado por apresentadores de telejornal.

Agora, quem luta pela democracia no Brasil não pode achar que essa história termina aqui. E nem acreditar que essa batalha foi vencida só porque a peça Globo-Serra foi retirada do ar. O que devemos fazer é avançar. A esquerda, como um todo, deve compreender a importância das disputas simbólicas, entendendo, por exemplo, que toda a programação das emissoras comerciais está repleta de mensagens a serviço do projeto neoliberal: egoísmo, individualismo, racismo, preconceitos, segregacionismo, medo, Estado fraco. O sistema capitalista nunca é questionado – para as corporações de mídia, é como se não existisse outra maneira de organizar a vida.

Esse enfrentamento não pode ocorrer apenas nos períodos eleitorais. A mídia é, hoje, a instituição com maior poder de produzir e reproduzir subjetividades. Ou seja, a mídia é essencial para determinar formas de sentir, pensar, agir e viver tanto de indivíduos quanto de instituições. Se queremos formar uma sociedade democrática, todo o sistema midiático deve ser reformulado. E esta é uma batalha de todos os dias.
Luciano Martins Costa: Veja, a reserva de mentiras

A revista Veja destacou três repórteres para aquilo que deveria ser uma reportagem definitiva sobre a suposta ameaça de o Brasil ter seu território produtivo amputado por milhares de reservas de proteção ambiental e destinadas a grupos étnicos específicos.

Por Luciano Martins Costa, no Observatório da Imprensa
A publicação que mais vende no país chega a afirmar que "áreas de preservação ecológica, reservas indígenas e supostos antigos quilombos abarcam, hoje, 77,6% da extensão do Brasil".

Segundo a revista, se a conta incluir ainda as cidades, os assentamentos para reforma agrária, os portos, as estradas e outras obras de infraestrutura, o total do território proibido para "atividades produtivas" chegaria a 90,6% e os brasileiros do futuro teriam que se contentar em produzir numa área do tamanho de São Paulo e Minas Gerais.

Tamanho nonsense, enunciado no início da reportagem, deveria bastar para afastar qualquer leitor com algum sentido de realidade. Mas Veja parece ter definitivamente aderido a alguma seita movida a alucinógenos pesados. E viaja no preconceito.

Entrevista inexistente

A revista afirma que existe uma organização altamente articulada que se dedica a congelar grandes fatias do território nacional, formada por organizações não governamentais e apoiada por antropólogos. Essa suposta "indústria da demarcação" seria a grande ameaça ao futuro do Brasil.

O texto embrulha no mesmo pacote reservas extrativistas da Amazônia – onde a produtividade econômica é muitas vezes superior à da pecuária, gera mais emprego e produz e distribui mais riqueza –, não diferencia áreas de proteção de áreas de exploração restrita, confunde conceitos antropológicos e inventa pelo menos uma declaração.

O antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, do Museu Nacional do Rio de Janeiro, distribuiu no sábado (1/5) uma mensagem na qual garante que a citação de uma frase sua por parte da revista é uma completa mentira.

Para fundamentar uma de suas afirmações, Veja atribui ao antropólogo a frase segundo a qual "não basta dizer que é índio para se transformar em um deles. Só é índio quem nasce, cresce e vive num ambiente cultural original". Castro assegura que não deu a entrevista, que não pensa assim e que considera a reportagem "repugnante".

Veja acaba de inventar a reserva de frases manipuladas.